New England Patriots vs Los Angeles Rams

NFL – Super Bowl LIII – 03/02 às 21h30

Às 21h30 (Brasília) deste domingo acontece no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, o confronto entre New England Patriots e Los Angeles Rams válido pelo Super Bowl LIII, a grande final da NFL. De acordo com as casas de apostas, Patriots é favorito no embate.

New England Patriots

Buscando seu sexto Vince Lombardi Trophy, o New England entra em campo neste domingo após mais uma temporada onde foi bem além das expectativas. O head coach Bill Belichick e o QB Tom Brady terão a chance de aumentar ainda mais o seu legado na história da NFL caso consigam triunfar em Atlanta e certamente a franquia apresenta fatos para ser considerado favorito neste que já é sua terceira aparição consecutiva no big game.

Patriots começou 2018 com duas derrotas em três partidas, e a partir daí vários analistas começaram a questionar se a dinastia havia acabado, ou se já estava próxima de seu fim. A franquia então venceu 8 dos 9 jogos seguintes, e na reta final do calendário regular só precisou de algumas fáceis vitórias contra times de sua divisão para garantir presença em mais um janeiro de playoffs.

Na pós-temporada, o time de Foxboro folgou no WildCard Round devido a posse da segunda melhor campanha da conferencia americana (11-5), e fez sua estréia no Divisional Round, onde bateu o até então embalado Los Angeles Chargers por 41-28, num jogo em que dominaram os californianos do inicio ao fim. Na grande final da conferencia americana, Patriots viajou à Kansas onde enfrentou o Chiefs de Patrick Mahomes, e em mais uma ocasião triunfou, tendo batido os adversários por 37-31 com um touchdown no drive inicial da prorrogação.

Tom Brady pode se tornar o primeiro jogador da história a conquistar seis anéis

Ofensivamente o time é liderado pelo camisa 12, que já chega em sua nona aparição em Super Bowl. Brady acertou 65.8% dos seus passes ao longo de 2018, e registrou 29 touchdowns e 11 interceptações, com QBR de 70.1. No mês de janeiro, acertou 71.4% dos passes para 2 touchdowns e 2 interceptações. Ao meu ver, é indiscutivelmente o maior jogador da história da NFL devido suas inúmeras conquistas e tem neste domingo mais uma boa oportunidade de se firmar como “GOAT”, tendo em mente que nenhum outro jogador atingiu a marca de seis anéis.

O corpo de recebedores não está tão forte quanto em anos passados, mas ainda assim produtivo. New England está sem um wideout receiver de refêrencia, como quando tinha em WR Josh Gordon, e devido isso utiliza formações diferenciadas afim de criar mismatches e enganar defesas adversárias. TE Rob Gronkowski, apesar de estar em sua pior temporada profissional em estatísticas, ainda é um perigo alinhando com cornerbacks enquanto que WR Julian Edelman é sempre um alvo de confiança do Brady. Vale destacar ainda o dinamismo que os corredores da franquia tem no jogo aéreo, principalmente o RB James White, que liderou em recepções, targets e touchdowns recebidos ao longo do ano.

No jogo terrestre o destaque fica por conta do rookie RB Sony Michel, jogador que veio da universidade da Georgia e que fez Belichick ter, de fato, uma unidade ofensiva bidimensional. Michel ficou no top-15 de sua posição em jardas corridas, e contabilizou 6 touchdowns no calendário regular. Nesta pós-temporada, nos dois jogos disputados, já correu para 5 touchdowns e se tornando uma peça fundamental nesta campanha da franquia rumo ao Vince Lombardi Trophy.

Após a saída do Matt Patricia, ex-coordenador defensivo do Patriots que se tornou head coach do Detroit Lions na última off-season, a franquia anunciou que não teria um novo treinador defensivo e que o treinador de linebackers Brian Flores seria responsável pelo play-calling, e então muitas dúvidas surgiram a respeito da força que esta unidade defensiva conseguiria ter ao longo da temporada.

Encerraram 2018 como uma das piores em jardas cedidas, com média de 359.1 por jogo, mas como a sétima melhor em pontos cedidos, com média de apenas 20.3 pontos cedidos por duelo.

O front-7 joga num sistema 3-4, sistema esse que permite maior flexibilidade aos quatro linebackers presentes em campo, podendo assim pressionar o quarterback com blitz, parar corredores com maior facilidade em outside runs e ajudando os defensive backs marcando em zona. Todos os sete jogadores titulares são bem jovens, todos recrutados de 2012 pra cá, e ainda não conseguiram fazer grande impacto juntos. Foi a terceira pior da liga na temporada em sacks e uma das dez piores em número de tackles registrados.

A secundária de New England já é o oposto. Liderados pelo veterano FS Devin McCourty, o grupo de defensive backs foi a quarta melhor unidade da NFL em interceptações (18) e teve um bom número de passes desviados. Não são defensive backs conhecidos por executarem muitas blitz, mas conseguem trabalhar em zona com muito sucesso.

Los Angeles Rams

Os californianos do Rams entram em sua quarta aparição em Super Bowl neste dia 3, e vão em busca de seu segundo Vince Lombardi Trophy. A franquia, que há apenas três anos se mudou de St. Louis para Los Angeles e que em 2016 registrou campanha de 4-12, ressurgiu de maneira inacreditável após a contratação do head coach Sean McVay no calendário passado e neste ano finalmente conseguiu chegar vivo em fevereiro, com uma campanha geral de 15 vitórias e 3 derrotas.

Apontado como um dos principais favoritos ao titulo nesta temporada após os inúmeros reforços trazidos ao longo da off-season, durante o free agency e o draft, Los Angeles iniciou o calendário regular com um football impecável que lhe possibilitou ser o último time invicto entrando na semana 9. Conseguiram bater a excelente marca de 11-1 na semana 13, semana essa onde venceram a NFC West pelo segundo ano consecutivo, e em dezembro registrou 2-2, num mês onde tirou o pé do acelerador afim de se poupar para os playoffs.

Em janeiro, assim como o Patriots, teve a segunda melhor campanha de sua conferencia e folgou no WildCard Round. Na semana seguinte, pelo Divisional Round, recebeu o Dallas Cowboys e bateu os texanos por 30-22, num jogo bem disputado. No NFC Championship, viajaram à Louisiana para enfrentar o fortíssimo New Orleans Saints e venceram na prorrogação com um field goal de 57 jardas do K Greg Zuerlein, num embate onde chegaram a estar com 13 pontos de desvantagem no placar.

Jared Goff será o quarto quarterback mais jovem a disputar um Super Bowl como titular

O huddle ofensivo é comandado pelo terceiro-anista QB Jared Goff. O quarterback teve uma rookie season bem mediana, mas no último ano apresentou uma melhora considerável e nesta temporada se tornou um dos principais da NFL em sua posição. Goff encerrou o calendário regular com a quarta maior marca de jardas (4688), sexta maior em touchdowns (32) e apenas 12 interceptações, com um QBR de 66. Vem performando da maneira que o Rams esperava quando o recrutou com a primeira escolha geral do Draft de 2016 e será apenas o terceiro quarterback que foi primeira escolha de Draft da história a performar como titular no Super Bowl em uma de suas primeiras três temporadas profissionais.

O arsenal de Goff é bem amplo. WR Robert Woods e WR Brandin Cooks combinaram para 166 recepções, 2423 jardas e 11 touchdowns, formando uma das duplas de recebedores mais produtivas da NFL. Sofreram grande downgrade quando WR Cooper Kupp se lesionou no meio da temporada regular, mas alguns nomes estão em ascensão e conseguindo suprir a ausência do slot receiver.

O grande destaque desta unidade ofensiva fica por conta do RB Todd Gurley. O corredor registrou 1831 jardas de scrimmage e um total de 21 touchdowns ao longo de 2018. Em dezembro Gurley sofreu lesão no joelho e praticamente não performou nas últimas três semanas do calendário regular, mas vem sendo peça fundamental na campanha de Los Angeles nesta pós-temporada. Também vale trazer os esforços recentes do C.J. Anderson, que foi contratado quando Gurley passou a sofrer com lesão e que contabilizou 123 jardas no Divisional Round diante de Dallas.

Defensivamente os californianos tiveram algumas dificuldades em 2017 e decidiram investir de forma considerável na unidade para esta temporada. Tanto o front-7 quanto a secundária tiveram upgrades e chegam neste Super Bowl com um elenco repleto de All-Pro players e Pro-Bowlers, além de um runner-up ao prêmio de MVP e de ter um dos melhores — se não o melhor — coordenadores defensivos da liga no Wade Philips.

O front-7, que é sistematizado num 3-4 próprio do Philips que prioriza um “jogo” nos gaps da linha ofensiva, registrou 41 sacks e encerrou o calendário regular no top-10 de QB hits e tackles for loss. DE Aaron Donald foi responsável por 20.5 destes sacks, além de 30 tackles for loss, 4 fumbles forçados (2 recuperados pelo jogador) e 1 interceptação. DT Ndamukong Suh, que está pela primeira vez num time onde não é o melhor na unidade de defensive lineman, não vem sofrendo com double-teams e conseguindo trabalhar de forma muito mais produtiva, tendo registrado 1.5 sacks no NFC Championship e sendo presença constante no pocket. Na linha de linebackers o LB Dante Fowler Jr., que chegou no trade deadline desta temporada em troca com o Jacksonville Jaguars, está em absurda ascensão.

O time de defensive backs tem, ao meu ver, a melhor dupla de cornerbacks da NFL no CB Marcus Peters e CB Aqib Talib. Essa secundária registrou 18 interceptações e é uma das mais ball-hawkers da liga. Sem dúvidas irão apresentar enorme dificuldades para o camisa 12 do Patriots.

Dica do Tipster

Duelo entre os dois times com a segunda melhor campanha de cada conferencia, entre o quarterback veterano e o jovem, entre um head coach lendário e outro que está no inicio de uma carreira brilhante. Este Super Bowl LIII tem tudo pra ser mais uma partida que terá lugar reservado na história da NFL.

Indo direto ao ponto, este será mais um ano onde irei no handicap positivo do underdog na grande final da liga. E separei alguns pontos que tiveram peso e destaque nesta minha entrada.

  • Sean McVay vs Bill Belichick
Duelo entre técnicos é uma das principais atrações deste Super Bowl

Ao meu ver, este é o principal matchup deste Super Bowl. Dois treinadores que tem filosofias e gamestyle bem distintos, mas que são gênios na arte do head-coaching.

Apesar de enxergar Belichick como o maior treinador da história após as inúmeras conquistas nestes seus 53 anos na National Football League, hoje preciso ficar do lado do McVay. O treinador do Rams vem inovando nas três fases do jogo: ataque, defesa e special teams. Consegue assemelhar as performances do seu time ao que vemos nos sábados do College Football, podendo ser letal no spread offense, bem como bastante perigoso em formações compactadas. Preciso trazer Philips à essa disputa também, sendo um coordenador que particularmente adoro. Philips tem praticamente total autonomia na defesa, ao passo que McVay prefere ter mais responsabilidades ofensivas. Philips esteve naquele Super Bowl 50, o qual Denver Broncos forçou 7 sacks, 4 turnovers e limitou o Carolina Panthers à míseros 10 pontos, como coordenador defensivo da franquia do Colorado, e agora retorna ao big game na franquia californiana.

Belichick costuma ter algumas cartas na manga, sempre aparece com uma página extra em seu playbook em pós-temporada, mas tenho minhas dúvidas em relação a sua capacidade de inovar diante de um treinador que é conhecido principalmente por isso. Nos últimos cinco Super Bowls em que o Patriots disputou, venceram apenas dois, e precisam de um football muito mais consistente se quiserem se consagrar campeões nesta nova oportunidade. No Super Bowl LII, contra um head coach que estava apenas em seu segundo ano profissional no Doug Pederson, Belichick teve dificuldades e acabou por ser derrotado.

  • Jogo terrestre vs front-7
RB Todd Gurley liderou a NFL em touchdowns ao longo de 2018

No football, controlar o relógio e controlar o jogo são praticamente sinônimos. Se manter em campo com a posse de bola, significa que você está avançando e mantendo o ataque adversário fora da ação. Rams tem o melhor all-around player da liga no Gurley e um baita backup no Anderson. Gurley contribui de forma significativa no jogo aéreo e ao mesmo tempo que tem uma baita velocidade, também consegue ser um power-back prolifero.

Não gosto do front-7 de New England, simplesmente não enxergo jogadores de qualidade. Ao longo do calendário regular, Patriots cedeu 134 jardas terrestres em jogo diante do Chicago Bears, cedeu 158 jardas terrestres para um Pittsburgh Steelers que estava sem seus dois principais running backs, cedeu 189 jardas terrestres para o mediano Miami Dolphins em dezembro, enfim. A linha defensiva não me empolga e acredito que terão enorme dificuldades em segurar o backfield californiano.

Também acredito que Rams leva vantagem no sentido oposto deste confronto. De fato Michel vem se tornando um dos principais corredores da liga. Foi um jogador de primeira rodada de Draft, substituiu bem o Gurley quando o mesmo anunciou sua saída da universidade da Georgia rumo ao profissionalismo, mas enfrentará uma linha defensiva composta por Donald, Suh e DE Michael Brockers, além de uma linha de linebackers muito física. Los Angeles enfrentou o líder da temporada em jardas terrestres no Divisional Round, e limitou-o a 47 jardas (média de 2.3 jardas por corrida). Enfrentaram o dinâmico backfield do Saints no NFC Championship, e saíram da Louisiana tendo sofrido apenas 31 jardas para o RB1 de New Orleans.

É um matchup que simplesmente não vejo New England sendo vitorioso.

  • Patriots jogando fora de Foxboro
Patriots perdeu cinco dos oito jogos disputados fora de casa na temporada regular

Nas últimas dez partidas fora de casa, contando com a temporada passada e pós-temporada, New England perdeu seis jogos. Perderam os últimos dois confrontos como visitante deste calendário regular (em Miami, Pittsburgh) e ficaram próximos de serem derrotados em Kansas City. A equipe também perdeu cinco dos últimos oito jogos de playoffs jogando na estrada.

O fato do Super Bowl ser num campo neutro sem dúvidas ameniza o peso do péssimo aproveitamento da franquia jogando fora de casa, mas ainda assim vale destacar que o Patriots não consegue apresentar a mesma enorme superioridade que tem no Gillette Stadium em comparação a quando performa como visitante.

Rams, por sua vez, venceu 14 dos últimos 17 jogos que disputou como visitante — somando temporada passada e playoffs.

  • AH +3.5 do oponente resultou em acerto em 8 das 10 aparições do Patriots em Super Bowl
K Greg Zuerlein acertou 34 de 39 FGs tentados na temporada

Adam Vinatieri se consolidou como um dos maiores kickers da NFL após múltiplos game-winning field goals para New England em Super Bowls e em jogos de playoffs. New England não é uma equipe que tem vitórias avassaladoras jogando em fevereiro, pelo contrário. Em oito de suas dez participações no Super Bowl, o handicap positivo +3.5 do adversário resultou em acerto.

Este vem sendo apontado como um dos confrontos mais acirrados dos últimos tempos e as chances desse duelo ser decidido por um field goal existem e não são pequenas. Deveremos ter um jogo indefinido ainda no último quarto e ambos tem kickers de confiança, sem dúvidas pode ser mais um Super Bowl decidido por três ou menos pontos.

  • Talento bruto
DE Aaron Donald registrou uma temporada digna de MVP

Se todos os jogadores, tanto do Patriots quanto do Rams, jogarem seu melhor football possível neste domingo, Los Angeles vence por mais de 10 pontos na minha opinião. A equipe do McVay é superior no ataque e na defesa — e depois das performances recentes do Zuerlein, acredito que até no special teams.

Goff tem um potencial enorme, está apenas em seu terceiro ano profissional e já conseguindo colocar números que lhe põem como um dos melhores jogadores de sua posição. O backfield do Rams tem discutivelmente o melhor running back da NFL e um excelente backup. O front-7 californiano tem o melhor jogador defensivo da liga e uma linha de linebackers excelente, enquanto que a secundária de Los Angeles tem, como já disse, a melhor dupla de cornerbacks da National Football League.

New England tem de fato uma equipe com calibre pra vencer em Atlanta, mas quando falamos sobre talento bruto, não enxergo-os de maneira tão acirrada ao seu adversário. O time não tem um grande wideout receiver e a linha defensiva foi a segunda pior da liga em sacks. É um time que tem setores fracos, enquanto que não enxergo tantas fraquezas assim no Rams.

Ao meu ver, o valor está todo no time do McVay neste Super Bowl LIII. Vamos no handicap positivo alternativo dos mandantes, no +3.5, afim de fazer uma proteção em caso de derrota por field goal, no que deve ser um embate histórico.


Aposta Odds Unidades Casa de Aposta Status
Los Angeles Rams AH +3.5 1,71 3

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